Por que o brasileiro lê tão pouco? A primeira resposta costuma ser: Porque o livro é caro. Ora, esse argumento só é válido em parte. Não é preciso comprar um livro para lê-lo. Ele está disponível em bibliotecas públicas, onde ninguém precisa pagar. Pode-se também pedir livros emprestados a amigos ou comprá-los por muito pouco num sebo. O brasileiro não lê porque não tem o hábito de ler, não gosta de ler.
O número dos que tem acesso aos livros aumentou, mas o interesse por eles não acompanhou esse crescimento, e a impressão que se tem é que há um século, lia-se muito mais. O livro não consegue concorrer com o computador, a televisão, o cinema, o esporte e a agitação da vida moderna. A leitura foi jogada para o último plano na opção de lazer nesse nosso país tropical, onde o sol convida as pessoas para as praias e as atividades ao ar livre.
Festas literárias, feiras e encontros vêm contribuindo para divulgar livros e autores, ainda assim, sua repercussão vai pouco além do pequeno círculo dos profissionais do livro. Atinge, quando muito, uns poucos aficionados de um ou outro escritor consagrado, ou simplesmente curiosos em busca de um programa diferente.
Pesquisas revelam que as escolas têm alcançado êxito no esforço para despertar o gosto da leitura nas crianças. Os pequenos gostam de ler e leem um número razoável de livros, mas não se tornam leitores para toda a vida. Aos 12 anos, o interesse decresce e os adolescentes, na sua grande maioria, consideram a leitura um dever maçante. Se paralelamente à escola houvesse o estímulo da família, e, sobretudo, o exemplo da família, talvez o quadro fosse outro e o esforço inicial não se perdesse. Mas os adultos, que também leem pouco, quando leem, não podem servir de exemplo.
Ficamos restritos a um número muito pequeno de pessoas que se interessam verdadeiramente pelos livros e, em particular, pelos de literatura. Se os leitores são poucos, os livros são muitos. Os lançamentos chegam às livrarias como um tsunami literário, deixando os livreiros às voltas com o sério problema de expô-los. Como os best-sellers e os livros de autoajuda, estrangeiros na sua maioria, são uma aposta certa, acabam por inundar as bancadas mais visíveis, empurrando a produção literária nacional para um canto escondido.
Cabe dizer que grande parte dos livros são adquiridos para serem dados de presente. A escolha recai sobre os livros já aprovados em outros países e frequentadores constantes da lista dos mais vendidos. A eles, pode-se juntar os escritos por celebridades, que têm lugar garantido na mídia. O comprador não vai lê-los, vai entregar a outros para que o leiam. É melhor que sejam do agrado geral.
Espremidos, sufocados, rejeitados, os livros brasileiros de literatura contemporânea, quase sempre publicados por editoras pequenas, só são procurados por quem já ouviu falar deles, seja por ter lido alguma rara resenha, seja pela recomendação de um amigo. Quanto aos demais, dificilmente têm chance de deixarem as prateleiras, pois não estão acessíveis para serem folheados e despertarem a atenção.
Reverter a situação e valorizar a literatura brasileira exige dedicação e esforço por parte dos que por ela se interessam. Já falamos do trabalho das escolas, do estímulo das festas literárias e feiras. Será que editoras, livrarias e formadores de opinião estão se engajando suficientemente nesse esforço? Talvez não estejam se ocupando de um nicho importante de possíveis leitores, aqueles que raramente leem, mas que encontrariam prazer na leitura, se livros brasileiros adequados lhes fossem oferecidos.
Para conquistar os leitores, precisamos agradá-los, mimá-los, oferecer-lhes o que gostam sem abrir mão da qualidade, trazendo-lhes boas histórias, personagens que reconhecem e algo mais: Um texto ágil, bem escrito, e surpresas, pois a literatura pressupõe a surpresa, o suspense e o inusitado.
Não se deve desperdiçar a chance de cativar um novo público para a literatura. Os escritores brasileiros que têm condição de encantar quem procura esquecer seus problemas no prazer de uma história bem contada, que prenda a atenção e divirta, ainda são pouco valorizados. No entanto, são eles que podem abrir as portas para novos leitores, e prepará-los para a leitura de livros mais requintados.
MIRIAM MAMBRINI
Escritora
6 de dezembro de 2009
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010
sexta-feira, 11 de dezembro de 2009
Sobre nosso site
Aqui, neste nosso sítio ( www.bomtextoeditora.com.br ), vamos promover não só a venda de livros com descontos expressivos, mas também incentivar a participação dos nossos visitantes nas ações editoriais da Bom Texto. Abriremos espaços para novos autores enviarem suas obras, discutiremos temas relevantes à literatura e ao leitor e tentaremos preencher parte da lacuna deixada pelas livrarias no convívio com seus clientes/leitores.
Movidas pelo interesse exclusivamente comercial, as grandes redes de livrarias no Brasil tornaram-se verdadeiros templos de consumo de muita coisa, inclusive de livros. Com um crescimento vertiginoso nesses últimos dez anos, essas redes contribuíram para que o livreiro tradicional de bairro – aquele que conversava com os frequentadores de sua loja, que indicava títulos, que recebia e conversava com os editores pessoalmente – praticamente desaparecesse. Por isso, o livro tornou-se, definitivamente, um produto como outro qualquer nessas megalojas espalhadas pelas grandes cidades. Nelas é possível encontrar desde charutos, jogos, baralhos, comidinhas especiais, cds, dvds, restaurantes enormes e sofisticados até livros, tudo convivendo numa harmonia mercantilista que relega o livro a um papel secundário.
Muitos dirão: “mas é o progresso, é inevitável”. Quem sabe até seja, mas não é preciso aceitar que seja dessa forma.
Ao editarmos livros com intenção de descobrir e divulgar novos e bons autores nacionais, percebemos a cada dia a dicotomia entre o que fazemos e o que fazem as grandes livrarias desse país. E, mesmo atuando num país onde o livro é muito caro, seja pelo custo dos materiais, seja pelas margens dessas grandes livrarias (nunca inferior a 50% do preço de venda do livro), vamos insistindo e buscando alternativas para chegar até o leitor, como oferecer nossos livros a preços mais em conta e disponibilizar nosso espaço para consultas e debates.
Movidas pelo interesse exclusivamente comercial, as grandes redes de livrarias no Brasil tornaram-se verdadeiros templos de consumo de muita coisa, inclusive de livros. Com um crescimento vertiginoso nesses últimos dez anos, essas redes contribuíram para que o livreiro tradicional de bairro – aquele que conversava com os frequentadores de sua loja, que indicava títulos, que recebia e conversava com os editores pessoalmente – praticamente desaparecesse. Por isso, o livro tornou-se, definitivamente, um produto como outro qualquer nessas megalojas espalhadas pelas grandes cidades. Nelas é possível encontrar desde charutos, jogos, baralhos, comidinhas especiais, cds, dvds, restaurantes enormes e sofisticados até livros, tudo convivendo numa harmonia mercantilista que relega o livro a um papel secundário.
Muitos dirão: “mas é o progresso, é inevitável”. Quem sabe até seja, mas não é preciso aceitar que seja dessa forma.
Ao editarmos livros com intenção de descobrir e divulgar novos e bons autores nacionais, percebemos a cada dia a dicotomia entre o que fazemos e o que fazem as grandes livrarias desse país. E, mesmo atuando num país onde o livro é muito caro, seja pelo custo dos materiais, seja pelas margens dessas grandes livrarias (nunca inferior a 50% do preço de venda do livro), vamos insistindo e buscando alternativas para chegar até o leitor, como oferecer nossos livros a preços mais em conta e disponibilizar nosso espaço para consultas e debates.
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